— Em que ano estamos? — me perguntou a coisa. 2008, mas ela não iria conseguir essa informação de mim. Não assim, tão fácil. Por isso ela irá embora em 2 minutos, feliz.
Perguntei a ela que horas eram — uma pergunta, eu disse, bem mais pertinente. Ela respondeu. Não importa se estava certa, dane-se se eram mesmo 9:07 da manhã naquele lugar (que ainda é este). Eu só queria saber sobre os 2 minutos.
— Me deixe abrir esta porta — eu disse. — Só vai levar 1 minuto. Mas antes eu tive que encontrar a chave e isso levou a melhor parte (gostei de usar essa expressão) de 30 segundos. Respirei fundo para gastar a pior parte deles, então.
A melhor coisa sobre portas velhas e teimosas, com algum orgulho por serem velhas e fortes, é que mesmo sendo o atual dono delas, você leva 1 minuto para abri-las, se quiser. E ninguém reclama. Quanto tempo se leva para pegar a carteira no bolso esquerdo de uma calça larga e extrair uma nota de 10 lá de dentro? (Não posso dizer o nome desse dinheiro, isso estragaria tudo.) Resposta: a melhor parte de 30 segundos, se você perder um tempo roçando o polegar nas notas para separá-las, enquanto estima grosseiramente quanto tem e decide quanto tirar.
Aí veio a pior parte.
— Que horas são? — perguntei de novo. — 1 minuto a mais que da última vez que você perguntou — ela me disse. — Tem certeza? — insisti. A coisa que tinha um relógio olhou-o. — Certo, 2 minutos a mais.
Eu disse "obrigado". E "você precisa ir. Pegue isto e vá comprar um sorvete (*) pra você".
(*) Essa é um clássico.
— Prefiro carne.
— Que seja — concluí, escancarando a porta. — Vá.
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